Gonçalo Nascimento

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o colecionador de máscaras

caminho. e por baixo dos meus pés a calçada move-se como areia. terra, daquela terra suja e pó. ando para a frente e para trás, como um velho comboio encaixado em ferro que tem que ir só porque sim. dou voltas e visito as mesmas ruas mil vezes por dia. é tarde, tarde-noite e não […] Continue Reading

viagens em que o sol é um cinzento escuro como a noite.

caminhava pelo bairro alto, alto, lá em cima com o rio a perder-se de vista lá por baixo. as águas turvas, quase imóveis, um cinzento traiçoeiro e uma corrente que leva para fora do alcance o que quer que por lá calhe. as ruas gastas e enegrecidas pelo tempo, as paredes dos prédios a cair […] Continue Reading

o chão reflectido no céu.

lembro-me que acordei, já não sei precisar quando foi ao certo, e não sabia bem onde estava. queria levantar-me depressa para ir espreitar a rua lá fora mas qualquer outra coisa fazia-me pressão para continuar debaixo dos lençóis. olhei em redor. não percebi nada. os estores, pesados e gastos, lá subiram por fim. mil linhas, […] Continue Reading

letras esquecidas, livros inacabados.

A vida em Lisboa sempre foi solitária. Solitária porque vivia sozinho. O acordar sozinho, as refeições partilhadas com ninguém, o vinho a fazer-me companhia, o desejar boas noites a mim próprio. Passado algum tempo já não me fazia confusão, mas este sentimento de afastamento e esquecimento nunca me largaram. A vida aqui foi sempre um […] Continue Reading

deserto de ferro.

  estava um cinzento baço no céu. uma neblina húmida a molhar-me os olhos, e depois a cara.  caminhei durante não sei quanto tempo. as ruas estavam desertas. sem pessoas, sem carros, sem ruídos. algumas luzes de velhos candeeiros ainda tremiam. mas tudo estava deserto. o pontão gasto esperava por mim ao fundo e o […] Continue Reading
 
 
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