lembro-me que acordei, já não sei precisar quando foi ao certo, e não sabia bem onde estava. queria levantar-me depressa para ir espreitar a rua lá fora mas qualquer outra coisa fazia-me pressão para continuar debaixo dos lençóis. olhei em redor. não percebi nada. os estores, pesados e gastos, lá subiram por fim. mil linhas, depois dez mil quadradinhos de luz, e depois a luz. que luz mais fraca, por sinal! estava um cinzento ferro no chão e o céu não era mais do que o seu reflexo. sim. o céu era o reflexo do chão. a custo, percebi que estava tudo de pernas para o ar. hoje fez sol mas, de tanto olhar para baixo, nem reparei que as nuvens tinham passado. para onde foram? sinto falta desses reflexos cinzentos. reflexos de mim mesmo.